Uma destas manhãs tomei café junto a uma mesa de antigos professores. Senhores que conversavam com a solenidade e a autoridade que a aposentação confere.

Enquanto tomava café fui ouvindo a conversa que me interessou por estarem a falar sobre a educação dos mais novos, ou melhor sobre a falta de educação dos mais novos.

Os argumentos eram conhecidos: “No meu tempo é que era; Aí sim havia respeito; Os professores eram respeitados pelos alunos; Hoje a miudagem não tem educação, nem os pais respeita.” Enfim, para falar verdade frases que ouvimos com muito frequência a novos e velhos.

A convicção fatalista de que a humanidade está perdida porque as gerações mais novas não têm respeito nem educação parece já estar desagastada e há muito a perder contra argumentos claros que refutam esta teoria. No entanto, houve um ou dois aspetos da conversa que me chamaram a atenção. Um deles foi a incapacidade dos pais “controlarem” e a sua incompetência na “educação” dos filhos.

Gostava de desmistificar o ato de educar e de simplificar o método. As crianças não estão muito interessadas em teoria mas são muito perspicazes e observadoras. O que quero dizer é que não vale muito a pena a um pai ou a uma mãe doutrinarem os seus filhos sobre o comportamento que estes devem ter, quando na rua são os primeiros a tecer comentários discriminatórios face aos que os rodeiam; quando vão às compras e não respeitam quem os serve.

De facto educar é muito mais simples do que se pensa, e passa por implementarmos na nossa atuação dois conceitos simples : Exemplo e Coerência. Aos nossos filhos não lhes interessa o que dizemos mas sim o que fazemos.

A chave para uma educação positiva dos mais novos (e dos mais velhos também) está em agirmos da forma que queremos ser tratados. Como posso lidar com os problemas de agressividade dos meus filhos se lhes falo sempre a gritar? Como posso querer que eles respeitem os outros se sou a primeira a tecer comentários desrespeitosos sobre tudo e sobre todos?

O termo educar deriva do latim e significa na sua génese “conduzir para fora”, direcionar o indivíduo para além de si mesmo, em descoberta. Como pais e educadores esse é o nosso papel, e a melhor forma de o fazermos é procurando nós próprios fazer uso da nossa educação, do nosso melhor comportamento e de uma postura assente em princípios e valores. Não precisamos de bater ou de repreender! Ninguém gosta de ser humilhado. Basta que façamos como os grandes líderes que mobilizam e mudam pelo exemplo.

Também nós temos esse poder e devemos à luz das palavras de Ghandhi ser a diferença que queremos ver no mundo, educando de forma responsável através da inspiração e do poder do nosso exemplo.

Um abraço amigo,

Sofia Tavares

 

 

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